Troca de letras na fala infantil: O famoso “falar errado” é motivo de preocupação?

Na fase de descoberta das palavras, é comum que as crianças cometam pequenos deslizes. Trocar o “R” pelo “L”, dizer “pato” em vez de “sapato” ou transformar o “gato” em “dato”. No começo, a família acha fofo e até imita o jeito “engraçadinho” da criança se expressar. Afinal, quem nunca lembrou do famoso personagem Cebolinha?

Mas, à medida que a criança cresce, uma dúvida muito comum surge no coração das mães: “Fono Tati, até que idade é normal o meu filho falar errado?”

Como fonoaudióloga educacional, posso afirmar que a troca de letras na fala (tecnicamente chamada de alteração fonológica ou dislalia) tem prazo de validade para acontecer. Vamos entender quando isso deixa de ser apenas uma fase e passa a exigir atenção.

O que é normal e o que é sinal de alerta?

A aquisição dos sons da fala segue uma escadinha de desenvolvimento. Sons como “P”, “B” e “M” são fáceis e surgem bem cedo. Já sons que exigem mais vibração e força da língua, como o “R” do meio das palavras (como em “ba-ra-ta”) ou encontros de consoantes (“prato”, “trator”), costumam ser os últimos a serem dominados.

De forma geral, até os 4 anos ou 4 anos e meio, espera-se que a criança já tenha adquirido a maior parte dos sons da língua portuguesa. Se após essa idade o seu filho continua trocando, omitindo ou distorcendo letras, o sinal de alerta deve ser ligado.

Por que as crianças trocam as letras?

A fala é um mecanismo complexo que exige a coordenação perfeita do cérebro com os músculos do rosto. As trocas na fala podem ter diversas origens, como:

  1. Fatores Musculares: Fraqueza na língua ou bochechas, muitas vezes causada pelo uso prolongado de chupeta ou mamadeira.
  2. Dificuldade de Processamento Auditivo: A criança escuta bem, mas o cérebro tem dificuldade em interpretar e diferenciar sons parecidos (como “F” e “V” ou “P” e “B”).
  3. Respiração Oral: Crianças que respiram muito pela boca tendem a ter a musculatura flácida e a língua mal posicionada, o que atrapalha a articulação das palavras.

O impacto na alfabetização escolar

A maior preocupação com a troca de letras não é apenas social (evitar que a criança sofra bullying dos coleguinhas por falar diferente). O verdadeiro impacto acontece na escola: a criança que fala errado, fatalmente vai ler e escrever errado.

A alfabetização depende diretamente de como a criança processa os sons. Se ela fala “pato” em vez de “prato”, na hora da prova ela vai escrever exatamente o que está acostumada a ouvir de si mesma. Tratar as trocas de fala antes do ingresso no ensino fundamental evita defasagens escolares e protege a autoestima da criança.

Como a avaliação fonoaudiológica resolve isso?

O tratamento das trocas de fala costuma ser muito rápido e divertido quando iniciado no momento certo! Através de jogos, estímulos auditivos e exercícios de fortalecimento facial disfarçados de brincadeiras, nós ajudamos a língua a encontrar o “lugar certo” dentro da boca.

No meu consultório no Ipiranga ou no formato de atendimento Home Care, eu realizo uma avaliação clínica detalhada para descobrir exatamente por que o seu filho está trocando essas letrinhas e monto um plano de exercícios terapêuticos focado nele.

Seu filho está perto da fase de alfabetização e ainda tem dificuldades na fala? Não espere a dificuldade refletir no caderno da escola. [Clique aqui para me chamar no WhatsApp] e vamos agendar uma Reunião Inicial para garantir que a comunicação dele seja clara e confiante!